quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Bandeiras de Marinha 1914-18

 Marinhas de Guerra e Mercantes


Austria, Belgica, Dinamarca, França e Alemanha
 
Grécia, Holanda, Itália, Noruega e Portugal
 
Rússia, Espanha, Suécia, Turquia e Estados Balcânicos

Estados Unidos, Argentina, Chile, Brasil e Peru



Japão, China, México, Salvador, Colombia, Sião, Venezuela, Uruguai, Honduras ...




quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Defesa Aérea - Costa do Algarve

A Estação Aeronaval da Ilha da Culatra (Algarve)

Por convenção realizada com o Governo Francês, em Setembro de 1917, deveriam ser instaladas duas estações aeronavais francesas no continente, a de São Jacinto (Aveiro) e a da Culatra (Algarve), no entanto, e apesar de vária iniciativas nesse sentido, por falta de pessoal especializado e demora na construção das infra-estruturas não se chegou a activar totalmente a Estação Aeronaval do Algarve até ao fim do conflito.

A Ilha da Culatra, também conhecida localmente por "Ilha dos Hangares" fica ao concelho de Faro, mas é através de Olhão que o acesso à Ilha se faz de forma mais privilegiada, está integrada no Parque Natural da Ria Formosa e faz parte do conjunto de ilhas que delimitam a Ria e a protegem do Oceano Atlântico.

Apesar de parcialmente construída ainda chegou a ter alguma utilização no final da guerra, mas com o fim da mesma em Novembro de 1918 a Estação Aeronaval nunca chegou a ser oficialmente inaugurada. Posteriormente as instalações foram utilizadas como infra-estruturas de apoio à zona do campo de tiro da Marinha ali instalado.

Edifício do Posto de Comando da Estação Aeronaval da Culatra
A decisão de implantar na Ilha da Culatra a base dos hidroaviões franceses esteve ligada à possibilidade de utilizar o espelho de água da Ria Formosa como pista operacional e ainda o farol de navegação marítima aí instalado. A Estação estava equipada com um posto de TSF para comunicação com os aparelhos de patrulha que também estavam equipados com TSF.


Bases da Marinha no Algarve

A zona de saída do Estreito de Gibraltar era uma zona de alto risco, uma vez que os submarinos alemães aí se posicionavam para interceptar os navios de transporte que faziam a passagem para e do Mediterrâneo.


Bibliografia:

Martins, Ferreira (1934), "Portugal na Grande Guerra", Vol. II, Lisboa, 1º ed., Empresa Editorial Ática

Presença Militar na Ilha da Culatra






domingo, 12 de agosto de 2012

Defesa Naval - Costa do Algarve

A Esquadrilha Fiscal de Costa (Algarve)



 
NRP Lúrio - Esquadrilha Fiscal de Costa

A Esquadrilha Fiscal de Costa, com sede em Faro, acumulou durante a Grande Guerra de 1914-18 as funções de fiscalização da pesca com as de vigilância militar no mar.

Desta esquadrilha fizeram parte a canhoneira “NRP Lúrio”, o rebocador “NRP Lidador”, a lancha-canhoneira “NRP Rio Minho”, o lança-minas “NRP Vulcano” e o vapor “Carregado”.


Costa do Algarve

A esta força foi acrescentado o caça-minas “NRP Galeo”, que não dependia da Esquadrilha Fiscal de Costa mas da Divisão Naval (Lisboa), para colaboração com as forças francesas e inglesas que também patrulhavam a saída do Estreito de Gibraltar na zona da costa algarvia entre o Cabo de S. Vicente e Lagos.


Zona de Patrulha - Algarve

A vigilância da costa do Algarve era efectuada por estes meios navais com o apoio de um posto radiotelegráfico montado no Alto de Santo António, em Faro.



Posto de Rádio - Alto de Santo António (Faro), Base Naval - Porto de Faro

A Esquadrilha tinha como navio de comando a canhoneira "NRP Lúrio", comandada pelo 1º Tenente Carlos de Sousa Coutinho, armado com 2 peças de Hotchkiss de 47m e 1 metralhadora de 6,5mm. Tinha uma velocidade máxima de 12,5 nós e uma tripulação de 4 oficiais, 6 sargentos e 41 praças. A 6 de Novembro de 1917 a canhoneira passou a ser comandada pelo Capitão-tenente Joaquim Marques até ao final da guerra.

Durante a Grande Guerra a "NRP Lúrio" cumpriu três comissões na Esquadrilha Fiscal de Costa, entre 20 de Setembro a 18 de Novembro de 1914, entre 14 de Fevereiro de 1915 a 8 de Fevereiro e 1916, entre 1 de Março de 1916 a 14 de Maio de 1918 e de 7 de Agosto a 11 de Novembro de 1918, onde se manteve até 16 de Outubro de 1919.

Ao longo do tempo a canhoneira "NRP Lúrio" teve de ir quatro vezes a Gibraltar para reparações,  abastecimento e comboiar o vapor "Carregado", entre 26 de Setembro e 10 de Outubro de 1917, entre 20 e 31 Dezembro de 1917 e entre 4 e 11 de Abril de 1918.

A principal missão desta esquadrilha em tempo de paz, fiscalização das águas territoriais por causa da pesca ilegal efectuada pelos pescadores espanhóis, manteve-se durante o período de guerra acrescido da vigilância sobre os submarinos alemães que nestas águas se colocavam à espera dos navios que passavam pelo Estreito de Gibraltar. Era quase diária a recepção de SOS no posto de rádio de Santo António, provenientes de navio atacados por submarinos junto à boca do Estreito de Gibraltar. Muitas vezes os navios da Esquadrilha não saiam para acudir as vítimas por causa da distância à sua base em Lagos.
   
Em 1916, 30 de Outubro, efectuou a recolha de náufragos perto de Portimão, pertencentes ao navio norueguês "Torsdal", torpedeado pelo submarino alemão U63, comandado por Otto Schultze, no dia 28 de Outubro.  (Mendes, 1989)  

Ainda em 1916, em patrulha junto a Portimão a "NRP Lúrio" avistou um submarino alemão junto a um navio à vela, que entretanto começou a adornar e se afundou. Em postos de combate a canhoneira “NRP Lúrio” abriu fogo sobre o submarino que entretanto submergiu. Após cessar fogo procedeu à recolha dos náufragos. Mais tarde sou tratar-se do lugre "Mary Horten" que vinha de Stanvager para Genova com carga diversa. Tinham sido abordados pelo submarino que fez ir a bordo um oficial e quatro praças para analisar a carga e que os tinham mandado sair para o escaler onde foram recolhidos, antes de minarem o navio. (Mesquitella, 1923)

Em 1917, quando se intensificou a guerra submarina, após declaração da guerra submarina total, os franceses e os ingleses colocaram permanentemente na zona do Cabo de São Vicente duas esquadrilhas que se rendiam de seis em seis dias.

A esquadrilha francesa que tinha a sua base naval em Casa Blanca (Marrocos), era composta por dois submarinos “Ampére” e “Papin” e de um caça-minas.

A esquadrilha inglesa com base naval em Gibraltar, era composta por um cruzador auxiliar e dois torpedeiros, que costumava permanecer na enseada da Baleeira junto de Sagres.


O caça-minas "NRP Galeo" que tinha sido deslocado para reforço de vigilância nestas águas colaborava regularmente e alternadamente, com estas duas esquadrilhas.

Só num dia, em 24 de Abril de 1917, o submarino U35 comandado por Lothar von Arnauld de la Perière, afundou quatro navios ao largo de Sagres, o "Nordsoen" dinamarquês, o "Bien Aime Prof. Luigi" italiano, o "Torvore" e o "Wilhelm Krag ambos noruegueses, e ainda, danificou o "Triana" espanhol no dia 27 de Abril.
(Sanches, 2005) 


Torvore - Navio noroeguês






Bibliografia:


Clube Filatélico de Portugal

Mesquitella, Bernardo da Costa, "Marinheiros de Portugal", Lisboa, Imprensa Manuel Lucas Torres, (1923)

Mendes, Agostinho de Sousa, "Setenta e Cinco Anos no Mar", Lisboa, Comissão Cultural da Marinha, (1989)



sábado, 21 de julho de 2012

Cabo Verde

Na minha última viagem fui até à ilha de Santiago - Cdade da Praia, em Cabo Verde. (Julho 2012)

O forte foi construído depois dos ataques do pirata inglês Francis Drake à cidade, em 1585. Nesta época estavamos sob o domínio espanhol, tinhamos acabado de ser anexados por Espanha (1580) e reinava em Portugal Felipe II de Espanha.  

Da Cidade da Praia até à Cidade Velha demorámos cerca de 15 minutos, ao longo de uma estrada desenhada entre montes e vales. A distância não é muito mais de uma dúzia de quilómetros. Começámos por visitar o Forte de São Filipe, que se encontra no alto da escarpa e que domina a vista da cidade e da embocadura da ribeira. Só depois passámos pela Cidade Velha junto ao mar. Hoje com a dimensão de uma pequena vila piscatória não deverá ter mais de 800 habitantes.



Forte de São Filipe  - Lado esquerdo do pano de muralha virado a terra 

Forte de São Filipe - Lado direito do pano de muralha virado a terra, ao fundo encontra-se um porta

Forte de São Filipe - Pano de muralha virado ao mar, sobranceiro à Cidade Velha. À direita encontra-se a porta principal do Forte

O forte apresenta uma cisterna de armazenamento de águas pluviais, com uma estrutura de pequenos canais para transportar a água capturada nas zonas impermeáveis das muralhas e parada superior. Todos os canais, hoje destruídos ou muito danificados, confluíam sobre uma conduta principal que dava para o orifício que se pode ver na fotografia. O pequeno passadiço passa por cima dessa conduta principal. 

Cistena do Forte - Orifício de estrada das águas pluviais
Cisterna do Forte - Porta de Acesso ao interior da cisterna
Desde a altura da porta até ao fundo da cisterna são cerca de 6 metros e a sua forma circular tem um diâmetro de certa de 5 metros. 
Cisterna do Forte - Orifício de entrada das águas pluviais visto de dentro da citerna

Cisterna do Forte - Escada de acesso ao fundo da cisterna, o fundo encontra-se forrado com lajes

Modelo à escala do Forte de São Filipe, onde se pode observar a localização da cisterna

Das muralhas do Forte tem-se uma visão ampla do canyon, onde é notório o contraste entre o castanho-escuro das encostas e o verde do vale, local onde existe bastante água potável e de onde actualmente se efectua a captação da água que é distribuída na rede pública na Cidade da Praia.

 





Quase no final do vale, muito próximo da cidade pode ainda observar-se na encosta oposta à do Forte, o Convento de São Francisco que também foi reconstruido em conjunto com as obras de restauro do Forte.

Convento de São Francisco, na Cidade Velha. Data da mesma época da construção do Forte, século XVI 

A localização da Cidade Velha, inicialmente chamada de "Ribeira Grande", encontra-se à saída do grande canyon, que oferecia condições incomparáveis nesta ilha para o estabelecimento de um porto de apoio à navegação para o Sul e para a América. Sendo a escassez de água o principal ponto fraco deste arquipélago, este canyon permitia as melhores condições de vida de toda a ilha.

Cidade Velha - Vista do Forte São Filipe. Ao centro encontra-se a Sé.

Cidade Velha - Vista do Forte São Filipe. Zona por onde a Ribeira Grande desagua e onde se encontra o pelourinho.
 
Pelourinho da Cidade Velha

A cidade perdeu a sua importância comercial e militar quando em 1652 o porto principal de abastecimento passou a ser o porto da Cidade da Praia. O governo da ilha passou em 1769 definitivamente para a Cidade da Praia, tendo no entanto os ataques de piratas e de corsários ingleses e franceses, continuado até 1769. O último grande ataque e desembarque de corários deu-se em 1712, com o corsério francês Jacques Cassart.

Ruinas da Sé da Cidade Velha

História de Cabo Verde


Para ver informação sobre História da Grande Guerra em Cabo Verde ver o site:








sábado, 7 de julho de 2012

Arquivo Histórico do Museu Carlos Machado

Caros amigos,

Descobri no Museu Carlos Machado em Ponta Delgada, Açores, o espólio fotográfico do Coronel Afonso Chaves que é importantíssimo para o estudo do período da Grande Guerra em Portugal.


Foto do Coronel Afonso Chaves (Museu Carlos Machado, Ponta Delgada, Açores)
Soldado americano juntoà rampa dos hidroaviões do Corpo Santo (Porto Artificial de Ponta Delgada) 

A sua colecção de fotogramas relativos a acontecimentos durante o período de 1914-18, não é muito grande, mas muito importante. Nele se encontram raras fotografias do exército (marines), marinha (com submarinos) e aviação naval (inclui uma foto com um dos aviões em voo).

Quem tiver a oportunidade de estudar este tema em Ponta Delgada, poderá certamente descobrir mais coisas sobre a intervenção de Portugal na Grande Guerra e sobre a posição estratégica dos Açores ao longo da história mundial.

Museu Carlos Machado


Fundo Coronel Francisco Afonso Chaves


domingo, 10 de junho de 2012

O Engenheiro Francês Victor Cambon

Adquiri um conjunto de três livros de Victor Cambon, sobre a Alemanha:


L’Allemagne au Traivail, 8ª Edition, Paris, Pierre Roger et C., Éditeurs, 1909

Les Derniers Progrès de L’Allemagne, 15ª Edition, Paris, Pierre Roger et C., Éditeurs, 1914 (mars)


 L’Allemagne Nouvelle, 6ª Edition, Paris, Pierre Roger et C., Éditeurs, 1923


É uma trilogia muito interessante porque dá uma visão da Alemanha antes e depois da Grande Guerra, com uma especial incidência sobre a capacidade industrial, o desenvolvimento tecnológico e o desenvolvimento cultural da Nação. Cada uma das edições apresenta actualizações e referências a datas posteriores à 1ª edição.

Saídos da guerra e com a conturbação de todos os anos que se seguiram, o último volume mostra como a Alemanha recuperou os serviços públicos, a indústria e se desenvolvem no domínio da ciência.  

O Engenheiro Victor Cambon, nasceu em 1852 e morreu em Paris em 1927. Foi professor da École Centrale des Arts et Manufactures e ao longo da sua vida escreveu as seguintes obras :

  • De Bone à Tunis, Sousse et Kairouan, 1885
  • De France en Allemagne, 1887
  • Guide pratique pour la connaissance et l'emploi raisonné des engrais chimiques. Le sol, les engrais, les cultures, 1889
  • Autour des Balkans, 1890
  • Le Vin et l'art de la vinification, 1892
  • Fabrication des colles animales, 1907
  • L'Allemagne au travail, 1909
  • La France au travail. Lyon, Saint-Étienne, Grenoble, Dijon, 1911
  • Les Derniers Progrès de l'Allemagne, 1914
  • La Guerre vue de l'étranger : en Suisse, près du front, en Grande-Bretagne, aux Pays-Bas, en Italie, 1915
  • États-Unis, France, 1917
  • Le Taylorisme, 1917
  • Comment parlait Napoléon, 1917
  • Notre avenir, 1918
  • Où allons-nous ? 1918
  • L'Industrie organisée d'après les méthodes américaines, leçons professées à l'École centrale des arts et manufactures, 1920
  • La Fabrication des colles et gélatines. Traitement industriel des animaux abattus, 1923
  • La France au travail. Bordeaux, Toulouse-Montpellier, Marseille-Nice, 1923
  • L'Allemagne nouvelle, 1923
 A obra que o tornou conhecido foi a La France au travail de 1911.

domingo, 27 de maio de 2012

Revolta de 14 de Maio de 1915 em Portugal vista por Espanha


Manifestação de 14 de Maio de 1915, Lisboa (Av. Liberdade) 

Em Portugal a revolta causou cerca de 200 mortos e cerca de 1 000 feridos. Esta situação fez com que os governos de Espanha, França e Inglaterra tivessem enviado navios de guerra para o Tejo (Lisboa), com a finalidade de defender os seus nacionais. Assim, Espanha enviou uma esquadra de três navios, o Couraçado España, o Torpedeiro 3 e o Torpedeiro 5, que chegaram a 18 de Maio. No entanto o Torpedeiro 5 chegou mais tarde porque se reteve em Huelva para abastecimento antes de seguir para Lisboa.


Manifestação de 14 de Maio de 1915, Lisboa (Largo da Câmara Municipal)


Em Madrid o Primeiro-ministro Dato informou os jornalistas que desta força naval não tinham sido desembarcados quaisquer tropas em Lisboa, e que a única excepção tinha sido o próprio comandante do Couraçado España que tinha desembarcado, vestido à civil, para se ir colocar à disposição do embaixador de Espanha em Lisboa. Com este comunicado desmentiu que teria sido necessário a intervenção dos marinheiros espanhóis para libertar a embaixada.

Nesta comunicação os jornalistas espanhóis foram informados que o representante de Portugal esteve na Presidência do Conselho, e depois se reuniu com o Sr. Dato e o Ministro da Marinha.

Também houve o esclarecimento de que os rumores sobre uma situação de tensão entre Madrid e Lisboa não se confirmavam e que as comunicações telefónicas se tinham mantido sempre abertas. O embaixador de Portugal mostrou grande empenho em afirmar que a ordem em Portugal se tinha restabelecido.

Na imprensa espanhola foi publicado que na imprensa portuguesa, de 18 de Maio, havia a indicação de que os barcos espanhóis tinham sido recebidos com tranquilidade e se reconhecia que o envio desses barcos tinha sido no cumprimento do dever do Governo Espanhol de defender os seus súbditos que se encontravam em Portugal.




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